Ética

Não vire um cara de cocô junte as cacas do seu peludo

Blog de amigaanimal : Amiga  Animal, Não vire um cara de cocô junte as cacas do seu peludo

Adoreiiii

Gente vamos limpar as cacas do nosso amigo animal,hoje no mundo pet tem várias opções de higiene, ou ate mesmo a velha sacolinha na mão.

Bjos

domingo 28 agosto 2011 17:24 , em Ética


ONG lança no RJ projeto “Outdoor Animal” para educar sobre os direitos animais

Blog de amigaanimal : Amiga  Animal, ONG lança no RJ projeto “Outdoor Animal” para educar sobre os direitos animais

A União Libertária Animal - Ula - é um grupo abolicionista de Educação em Direitos Animais com atuação na zona Oeste do Rio de Janeiro,  principalmente nos bairros de Campo Grande e Guaratiba.

Em julho, o IBGE divulgou que o bairro de Campo Grande, que fica a 45 km do centro da cidade, se tornou o mais populoso da cidade. A população chega a ser maior que a da cidade de Vitória (ES). Campo Grande é um bairro de classe média com porções de classe média alta. Possui 328.370 habitantes inseridos numa área territorial de 11.912,53 hectares, sendo o terceiro bairro mais extenso da cidade. Por ser um bairro de grandes extensões faz limite com outros dez bairros da zona oeste: Paciência, Cosmos e Inhoaíba a oeste; Guaratiba, Vargem Grande, Recreio e Jacarepaguá ao sul; Senador Vasconcelos, Senador Camará, Santíssimo e Bangu a leste e mais o município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ao norte.

Campo Grande concentrou o maior número de lançamentos residenciais. O bairro ocupou em 2010 o primeiro lugar em número de lançamentos residenciais no município do Rio de Janeiro - superando os bairros de Jacarepaguá, 2°, e Barra da Tijuca e hoje atrai grandes construtoras cariocas.

Desde 2008, o Ula promove manifestações educativas no Calçadão de Campo Grande, centro comercial da região, no qual recebe pessoas do próprio bairro e de localidades vizinhas, como Guaratiba. Essas ações sempre tiveram grande receptividade pelas pessoas, por serem atividades inéditas na área, com informações relevantes, práticas e reflexivas sobre Direitos Animais.

A zona Oeste do Rio de Janeiro possui um número elevadíssimo de animais abandonados nas ruas, procriação e maus-tratos. Além disso, a população da zona Oeste ainda não costuma optar pela adoção de animais, sendo os animais resgatados na área, adotados por pessoas da Zona Sul e Zona Norte da cidade. Um funcionário da Secretaria Especial de Promoção e Defesa Animal (Sepda), disse em conversa informal, que inicialmente, foram realizadas feiras de adoção da Sepda na região, mas muitas vezes nenhum animal era adotado.

Atualmente, a Secretaria realiza as feiras nas zonaz Sul e Norte. O bairro também não possui restaurantes vegetarianos, mas muitos aviários, açougues e churrascarias. O uso de carroças também é comum. Todos os domingos, ocorre uma feira de rua com vendas de aves e filhotes de cães. Dentre inúmeras outras atividades e hábitos que promovem a exploração animal.

Analisando essas potencialidades e problemas do bairro, o Ula percebeu uma grande importância em utilizar um veículo para difundir em larga escala uma mensagem de Direitos Animais na região. Lançaram então, o Projeto "Outdoor Animal". O ULA pretende colocar o primeiro outdoor com tema de Direitos Animais na região, e para isso precisa da ajuda e união de todos que se importam com os animais.

"Qualquer um pode fazer parte desse projeto, e ser a chave para a sua realização. É fácil, prático e possível. E ainda concorrerá a uma cesta de produtos veganos. Grupos e ONGs de Direitos Animais também podem se tornar realizadores desse projeto, e se incluírem no outdoor", explica a organização.

segunda 11 julho 2011 17:31 , em Ética


Eutanásia

Derivada do grego euthanasia, temos a palavra portuguesa eutanásia, que significa a boa morte, a morte sem dor e sofrimento, concedida a um ser senciente, humano ou não humano, para que seja minimizada a agonia da passagem final.

Na ética, considera-se eutanásia somente a morte concedida a pedido do paciente humano, ou infligida a ele para evitar que o processo se prorrogue quando não há perspectiva alguma de alívio ou cura. O gesto de impedir o sofrimento cortando a possibilidade de sua existência é uma atitude radical. Por isso, a questão da eutanásia, na filosofia, no direito e na medicina tem ocupado muitos pensadores. Todas as decisões práticas na ética implicam desconforto para quem as toma. Por exemplo: se um paciente em estado terminal e sofrendo dores horríveis, para as quais já não há medicamento disponível, pede ao seu médico que lhe dê uma injeção para pôr fim àquela agonia, o médico tem apenas duas alternativas, quais sejam, atender ao pedido, ou negar o pedido. Para atender ao pedido precisa ter argumentos morais sólidos que sustentem a hipótese de que o valor da vida é concebido por quem a vive, e, se para quem a vive já não há perspectiva de valor algum em permanecer em vida, então esse valor não existe.

Se, no entanto, o médico negar o pedido ao paciente, então ele está afirmando com sua decisão que não é o paciente quem tem a autoridade para julgar se a própria vida tem valor ou não, e sim ele, o profissional da saúde. Nesse caso, mesmo não tendo recurso algum para devolver a vida ao paciente, o médico nega o pedido de eutanásia. Com isso, prorroga o sofrimento, causando uma morte ruim, em agonia e dor. Aqui passamos então do "direito à vida" à "obrigação de viver". Via de regra não se discute de onde vem a autoridade médica para obrigar alguém a continuar em vida à revelia da vontade do próprio vivente.

Decidir que a vida tem valor apenas por representar a esperança de viver minimamente bem num tempo futuro, ou decidir que a vida tem valor mesmo que nenhum bem seja prometido para o presente e o futuro, são decisões éticas com fundamentos morais antagônicos. Pode-se seguir a moral vigente e já se ter a resposta pronta: toda vida tem valor e nenhuma vida pode ser tirada, nem mesmo para atender a interesses relevantes, por exemplo, o de não morrer em estado de tortura causado por dores insuportáveis ou por atrelamento de aparelhos por todo o corpo para que as funções vitais dos órgãos sejam mantidas artificialmente. Pode-se escolher a outra perspectiva e assumir que a vida só tem valor e é digna de ser vivida se houver minimamente uma esperança de que vivendo se possa ainda realizar alguma coisa, enfim, expressar-se na condição humana.

Tomar uma, ou outra, dessas duas perspectivas para orientar-se e esclarecer aos familiares e amigos o que considera que deva ser feito no caso de vir a sofrer uma prorrogação da agonia da morte [distanásia, ou kakothanásia] não é decisão simples. Ela causa medo, ansiedade, dúvida, tensão. Afinal, estamos lidando com o assunto mais importante da nossa vida: a morte. Ela dá cabo de tudo o que desejamos. Ela encerra nossa forma atual de expressão no mundo. Ela representa o desfecho de nossa trajetória.

Assim, pensar e falar sobre a eutanásia tem sentido e requer pensar sobre a kakotanásia, a morte ruim, prorrogada, o sofrimento sem perspectiva de alívio. Via de regra, na perspectiva ética prática, só deveríamos tomar uma decisão desse quilate em relação à própria morte. Mas as circunstâncias nos põem diante de situações nas quais somos obrigados a refletir sobre a perspectiva da morte ruim que ameaça outro ser humano ou um animal pelo qual somos responsáveis.

Se já é complicado pensar na própria morte, e se mete medo pensar na privação do direito de morrer quando a agonia for estendida por dias ou semanas por conta de medicamentos e aparelhos que forçam o organismo a continuar suas tarefas quando, por ordem da natureza ele já teria encerrado suas funções vitais, mais complicado ainda é pensar em conceder a morte a outro humano que não está em condições de tomar uma decisão dessa ordem, por exemplo, o próprio filho recém-nascido, ou a um animal não humano que se encontra sob nossos cuidados. Nesse caso, sua vida tem para nós o mesmo valor que tem a vida de outro membro de nossa família. Temos, pois, a mesma experiência de dor que costumamos ter quando visitamos nossos entes queridos nas UTI's sem poder fazer nada para aliviar seu sofrimento e encerrar sua agonia.

Costumamos pensar que amar é querer que o outro viva, e conceder a morte a esse outro, amado, seria falta de amor. Mas, no caso do sofrimento final sem perspectiva de alívio, devemos pensar que, se de fato amamos, o que mais queremos é que essa agonia seja aliviada. Nos casos em que isso não é possível, então precisamos pensar seriamente sobre a questão do valor da vida para aquele que a vive. Nesse caso, é preciso que não entrem nossos interesses na jogada, mesmo que sejam apenas de natureza afetiva. É preciso perguntar se nosso apego a um humano ou animal é mais importante do que o sofrimento e agonia pela qual esse passa.

Uma forma costumeira de lidar com essa questão é pensar: o que eu gostaria que fizessem comigo nesse caso?

Mas, para mantermos a coerência, é preciso lembrar que decisões éticas visam resultar em benefício para aqueles que são afetados por elas, não para quem as toma. Por isso, considerar a hipótese de que a vida tenha perdido qualquer possibilidade de representar algo bom para aquele que a vive é condição para que se possa refletir sobre a possibilidade de provar finalmente nosso amor por esse ente querido, concedendo-lhe autorização para partir. Isso implica estarmos maduros para nos desapegarmos de sua presença no mundo material.

Muitos animais são mantidos vivos porque as pessoas que cuidam deles se apegam tanto a eles que não admitem a realidade de perdê-los para sempre. Mas, também é preciso que seja dito, muitos animais são eliminados da vida porque os que cuidam deles não têm disposição para cuidar de seus males, e pagar por uma intervenção veterinária é a forma mais rápida de se livrar do desconforto de ter de cuidar de um paciente em estado terminal.

Quando ouvimos a proposta de eutanásia para os animais que vivem em nossa companhia, precisamos saber separar os argumentos de ordem material, dos argumentos de ordem ética. Só pode ser ética a morte infligida a um ser senciente, caso a somatória de suas dores e agonia ultrapasse de longe a de seu estar bem em vida, considerando-se o presente e o futuro. Uma dor ou agonia transitórias jamais devem justificar a eutanásia, muito menos quando a dor ou agonia transitória do animal vem a calhar com o desejo de seu cuidador de livrar-se dos encargos inerentes ao cuidado. A morte só é boa se for concedida sem dor e para aliviar uma dor que já não pode mais ser medicada. O único interesse a ser pesado é o do animal, não o do cuidador.

 

 

quarta 01 junho 2011 11:23 , em Ética


Omitir-se de praticar o mal não basta

A palavra inato tem dois sentidos: algo que faz parte da natureza e nasce com o ser, e, algo que sequer chegou a nascer. Vou considerar hoje a questão da virtude. Ela deve ser levada em conta no primeiro sentido, o de que humanos são seres capazes dela, e no segundo sentido, o de que é possível que em muitos humanos ela sequer chegue a nascer.

As virtudes são muitas. Cito algumas, a bondade, a paciência, a persistência, a lealdade, a justiça, a ética. Essas seis formam um leque tão amplo que quase não é preciso falar de outras. Cada uma delas tem, pelo menos, duas formas de expressão: uma positiva, outra negativa. Somos bondosos, quando não fazemos mal aos outros. Pacientes, quando não exigimos velocidade de quem não pode competir. Persistentes, quando não desistimos de uma tarefa. Leais, quando não traímos. Justos, quando não tiramos do outro algo que ele não nos pode oferecer. Éticos, quando não tratamos os outros como se fossem meios para que alcancemos nossos propósitos.

Mas, para nos aprimorarmos moralmente, basta viver não fazendo o mal? Não. Os bebês, por exemplo, não fazem mal algum. Nem por isso eles se enquadram na categoria dos “éticos”. Para ser ético é preciso que haja liberdade para não fazer o mal e igualmente para fazer o bem. Quem não pode fazer mal não recebe automaticamente a designação de “ser ético”. E, ao inverso, muitas vezes sofremos algo mal por parte de alguém que não poderia ter evitado isso. Nem por isso dizemos desse ser que ele é mau. Para ser ético precisa preencher dois requisitos: poder fazer o mal e poder abster-se de fazer esse mesmo mal. Se um desses requisitos faltar, a ação sai fora do âmbito no qual ela seria julgada sob o ponto de vista da ética.

Essas são questões pertinentes, tanto para avaliarmos nossa interação com outros humanos, quanto para avaliarmos nossa interação com os animais não-humanos e ecossistemas naturais. Ainda é corrente a ideia de que, se não fizermos algo de mal, isso já é bastante, já “basta”, já podemos nos dar por satisfeitos. Então, é de se perguntar: basta para quem? Para o agente ou para o paciente moral? Não fazer o mal não basta, para aqueles que se encontram sob nosso domínio. Pode bastar para nosso ego, mas não basta para os que dependem de algo mais do que dos ditames do nosso ego para poderem se manter e expressar o bem que sua vida para eles representa.

Por isso, virtudes éticas exigem duas formas de expressão: a negativa e a positiva. Assim, não basta não ser grosseiro e rude com os animais. É preciso dar atenção a tudo o que lhes pode fazer mal e implementar práticas que levem à abolição de todas as formas de uso, abuso, exploração e destruição deles para benefício humano, e mesmo para benefício de outros animais. Não basta eliminar interações que forcem os animais a performances que exigem deles o que está acima de sua capacidade, ou que está além daquilo para o qual sua mente é formada. É preciso que, abolidas as práticas “impacientes”, pessoais e institucionais, criemos formas novas de interação com eles, que não exijam de seus corpos e mentes algo para o qual não nasceram. Não basta realizar uma tarefa ou participar de um projeto em defesa dos animais. É preciso persistir e seguir sem parar, fazendo cada vez um projeto novo que sintetize os resultados dos anteriores, tendo isso como meta definitiva de vida. Não basta não atraiçoar os animais [pesca, caçadas, armadilhas, gaiolas, jaulas], é preciso abolir todas as formas de traição adotadas há séculos para capturar os animais não-humanos.  Não basta não retirar os animais dos ambientes naturais onde eles se encontram [não participar do tráfico de animais, por exemplo], é preciso ampliar os espaços naturais para que eles possam voltar a viver neles a seu próprio modo. Não basta adotar a ética para proteger certos animais [cães, gatos, tartarugas, baleias, pandas, por exemplo], é preciso que a ética nos leve a compreender que em todas as suas formas de expressão a vida tem valor inerente ou um bem que só quem nasce nela pode usufruir. É preciso vencer a tendência especista eletiva.

Enfim, para realizarmos a bondade, não basta não reduzir o tempo de vida dos outros,  ou não destuir os meios pelos quais eles encontram o bem próprio de sua existência nesse planeta. É preciso fazer algo para que o bem que roubamos, a vida deles, pelo menos enquanto espécie, já que não é possível ressuscitar todos os mortos, lhes seja restituído. A virtude ética tem deveres negativos e deveres positivos. Vivemos um tempo em que as pessoas pensam que, por protegerem cães abandonados, ou baleias, por exemplo, já fazem mais do que o suficiente na defesa dos direitos animais. Ao mesmo tempo, algumas dessas pessoas que pensam que “defendem os animais”, mas de fato protegem apenas cães ou baleias, continuam a passar o garfo e a faca na carne que antes era de um porco, de um frango, de um boi. Vou tratar agora do mal que fazemos a esses animais, comentando somente um ponto, porque o espaço aqui é limitado: o tempo de vida que roubamos deles.

A média natural de vida de um suíno varia de 10 a 12 anos, ou, 3.650 a 4.380 dias; a de um bovino, de 17 a 30 anos, ou, 6.205 a 10.950 dias; a de galinhas e galos, de 15 a 20 anos, ou, 5.475 a 7.300 dias. Os porcos são mortos aos 140 dias de vida. Os bois, aos 750 a 1.825 dias de vida, dependendo da raça e do sistema de engorda. Os frangos, aos 43 dias de vida.

Fiz aqui alguns cálculos, para dar uma ideia da porcentagem de vida que tiramos deles ao abatê-los. Tomei por base o tempo médio mínimo de vida de cada uma dessas espécies, a saber: 3.650 dias de vida para o porco, 6.205 dias para o boi, 5.475 dias para o frango. Esses são os dias que eles poderiam ter vivido, em média, no mínimo, se não houvessem nascido na malha prisional na qual os humanos os confinaram.

Ao abater um porco, o privamos de 96,17% do tempo de vida que naturalmente teria. Comparemos agora essa privação, com o que representaria, caso fosse um humano, tomando como referência, digamos, 75 anos. Imaginemos que fôssemos nós os animais explorados e abatidos para fins alheios. Cada humano abatido teria sido privado de 72 anos de vida, ou seja, teria vivido apenas 3 anos até o abate.

Tomemos agora o tempo de 2 anos de vida de um bovino até seu abate. Se ele pode viver 17 anos, ou 6.205 dias, ao abatê-lo o privamos de 88.24% da vida que poderia ter vivido. Comparada com a vida média de um humano, isso corresponderia à privação de mais ou menos 66 anos de vida. O humano teria sido deixado vivo e engordado por uns 9 anos, quando, então, seria morto e comercializado em pedaços no mercado das carnes.

Por fim, tomemos o tempo de vida dos frangos, que, se não fossem forçados a nascer nas incubadoras, para virar carne, ou ser explorado mais adiante na produção de ovos, viveriam no mínimo 5.475 dias. Eles são abatidos por volta dos 43 dias de vida. Isso quer dizer que tiramos de cada indivíduo, ao matá-lo, 99,22% do tempo de vida no qual poderia ter existido. Isso equivale, na mesma comparação com a espécie humana, ao assassinato de aos 214 dias de vida, um bebê de uns 7 meses de idade.

No início escrevi que as virtudes éticas têm dois deveres: o de não fazer o mal, e o de fazer o bem. Se faz parte do bem de um ser vivo o tempo de vida no qual ele pode usufruir da condição da espécie na qual nasce, privá-lo dessa vida é um ato de violência, pois o priva da condição de existir na qual veio a esse mundo. Mas, já não basta, falando da perspectiva ética, que não tiremos a vida dos animais, quero dizer, que paremos de comê-los, quando nos damos conta do quanto ficamos devendo de vida ao planeta ao abatê-los para consumo [considerando que temos substitutivos excelentes de origem vegetal para compor a cadeia de aminoácidos que a carne oferece].

É preciso dar ainda o passo seguinte na direção da virtude: ações para recompor o estrago que estamos fazendo, especialmente nas últimas cinco décadas, quando inventamos as fábricas de animais e os forçamos a uma dieta que tornou menor o tempo de suas vidas, e multiplicou ad infinitum, em favor exclusivo dos lucros das empresas que os abatem, sua reprodução.

É preciso começar a pensar como seria possível devolver a essas espécies de vida e aos indivíduos que vierem a nascer, a vida que seria própria deles.

O primeiro passo é encerrar a produção de animais, seja lá sob quais forem os métodos,  para fins comerciais. Isso não geraria desemprego, como ameaçam os que vivem dos lucros dessa atividade, porque todos nós continuaríamos a precisar de comida. A força de trabalho empregue hoje na indústria da carne voltar-se-ía a produzir alimentos subsitutivos da carne, quero dizer, alimentos de origem vegetal. Haveria muito trabalho, para toda gente, ao contrário do que se imagina. Quem sabe, muito mais trabalho e emprego do que hoje se tem, porque a maior parte do trabalho na indústria frigorífica é realizada roboticamente [tantos por máquinas, quanto por humanos].

Em segundo lugar, seria preciso criar espaços naturais, nos quais os animais das espécies hoje abatidas em sua mais tenra infância pudessem voltar a viver longamente,  buscando seu próprio bem a seu próprio modo.

Em terceiro lugar, é preciso dar apoio aos grupos que defendem os direitos animais. E apoiar significa custear científica e financeiramente a atividade em defesa dos animais. Todo trabalho em defesa dos animais tem muitos custos, intelectuais e financeiros. As pessoas consomem a vida dos animais como se eles fossem um item como outro qualquer oferecido pelo mercado, mas eles são semelhantes a nós, humanos.

É preciso pensar uma vez, pelo menos, nos cálculos que apresento acima. O que pensamos do direito de outra espécie animal, de tirar a vida de humanos para atender a interesses estranhos a esses humanos, aos 7 meses de idade, aos 3 anos, ou mesmo aos 9 anos? Não há argumento possível para justificar tamanha crueldade. Todos os que a moral tradicional tem construído caem por terra com o desenvolvimento da produção de alimentos vegetais, a expansão das fronteiras comerciais que hoje permitem o acesso a todos os alimentos de origem vegetal que podem compor a cadeia de aminoácidos chamada proteína, presente nas carnes dos animais abatidos.

Não tratei ainda, com esse cálculo, das vacas e galinhas, usadas na extração do leite e de ovos. Também não falei, nem em relação a essas últimas, nem em relação aos citados acima, do sofrimento vivido por eles nos poucos dias, meses ou anos que são obrigados a viver sem propósito seu, apenas como objetos empilhados pela maquinaria do abate. Há muito para ser escrito e não posso abusar desse precioso espaço que nos concede. Trato disso no próximo texto.

Sônia T. Felipe

segunda 16 maio 2011 09:20 , em Ética



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