
Ação visa a minimizar maus-tratos contra animais, bem como
conscientizar a comunidade para a causa social (Foto:
Reprodução)
Por semana, chega a seis o número de animais vítimas de
maus-tratos em Rio Claro, SP, segundo dados do Gada (Grupo de
Apoio e Defesa dos Animais). Desses, dois são diagnosticados como
tipo grave, cujas ocorrências envolvem de casos simples a
torturas.
Considerando que muitos sofrem atrocidades a todo momento e que
é preciso conscientizar as pessoas e orientá-las a denunciar esse
tipo de atitude, estuda-se a criação da Delegacia de Proteção aos
Animais em Rio Claro. Nesse sentido, o requerimento 3.922/2011, de
autoria do vereador Valdir Andreeta, aprovado por unanimidade pelo
Legislativo e encaminhado ao Poder Executivo, apoia a instalação da
unidade no município, para que sejam combatidas as crueldades
praticadas contra animais.
O documento reforça a existência da Lei de Crimes Ambientais
9.605/98, artigo 32, que prevê pena de detenção de três meses a um
ano e multa aos infratores. Além disso, destaca o funcionamento de
uma delegacia em Campinas, cujo trabalho age diretamente no caso e
de forma imediata. "Com a unidade policial específica, é possível
presenciar qualquer ocorrência ou emergência com animais que exija
intervenção", destaca.
A Subcomissão de Defesa dos Direitos dos Animais, pertencente à
Comissão de Meio Ambiente da OAB de Rio Claro, aprova integralmente
a criação de uma Delegacia de Proteção Animal. "Somente uma
delegacia de polícia especializada, sobretudo integrada por
profissionais que tenham afinidade com o tema, será capaz de
enfrentar o problema do crime de maus-tratos praticado contra
animais com celeridade e eficiência", argumenta Mauro Cerri Neto,
membro da Comissão.
Para Cerri, sem essa delegacia especializada, o combate aos
crimes cometidos contra as pessoas, o patrimônio e a saúde pública
têm prioridade sobre o combate ao crime de maus-tratos praticado
contra animais, e esta realidade tem de mudar o quanto antes.
"Nossa Subcomissão não medirá esforços e colaborará no que for
necessário para que a Delegacia de Proteção Animal seja realmente
criada. Outros municípios que já possuem a sua obtiveram
significativo sucesso no combate a esse tipo de crime e temos
certeza de que em Rio Claro não será diferente", completa.
De acordo com a presidente do Gada, Roberta Escrivão, está
circulando abaixo-assinado para que a comunidade manifeste o seu
apoio à causa. "Temos três mil assinaturas até o momento, mas
precisamos de cinco mil. O Gada está empenhado nesse projeto, com o
intuito de minimizar os índices de maus-tratos registrados quase
que diariamente, propondo estabelecer um trabalho específico com
maior autonomia e poder de autuação", explica Campos.
No dia 30 de agosto, por exemplo, um aposentado de 65 anos foi
preso por manter em condições inadequadas 28 animais em sua casa no
Jardim Nova Rio Claro. A Guarda Civil Municipal compareceu ao local
juntamente com o Gada , após receber denúncia de que um cachorro
estaria sendo maltratado pelo dono. Havia dois cachorros, duas
ovelhas adultas e dois filhotes, um cavalo, um porco, oito patos e
12 galinhas. O cavalo e o porco foram recolhidos pela Vigilância
Patrimonial e levados para o piquete construído pela prefeitura no
antigo matadouro. Os outros bichos foram recolhidos pela
entidade.
Aos interessados em colaborar, o abaixo-assinado está disponível
na rede social Facebook, página Roberta do Gada, e na sede da
entidade. Local: Avenida 8 com Rua 1-B, s/nº, na linha férrea.
Telefones: (19) 3023-0285/ 9164-2296 /3532-4115.
Vale ressaltar que toda pessoa que seja testemunha de atentados
contra animais pode e deve comparecer à delegacia mais próxima e
lavrar um Termo Circunstanciado, espécie de Boletim de Ocorrência
(B.O.), citando o artigo 32. Conforme explica a Arca - Brasil
(Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal), caso haja
recusa do delegado, cite o artigo 319 do Código Penal, que prevê
crime de prevaricação: receber notícia de crime e recusar-se a
cumpri-la. "Se houver demora ou omissão, entre em contato com o
Ministério Público Estadual - Procuradoria de Meio Ambiente e
Minorias", reforça. É possível enviar carta registrada descrevendo
a situação do animal, o Distrito Policial e o nome do delegado que
o atendeu. Você, também, pode encaminhar fax ou ir pessoalmente ao
MP. Não é necessário advogado. Ministério Publico Estadual em São
Paulo - (11) 3119-9000.
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